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Casco, pelo e crina

quinta-feira, 6 de agosto de 2015.
         Olhe-te no espelho e veja o espírito selvagem e sagrado que existe dentro de ti, perceba em teu olhar insinuante, a presença da serpente divinal de fogo que sempre habitou em tua alma de mulher, esta que enroscada em tua coluna vertebral, com seus silvos libertinos e sacros, sempre quis te levar aos campos deleitantes de Dionísio.

         Deixa arder em teu interior a fogueira das tuas vontades e não permitas te prender ou censurar por ninguém.  O que vale é deixar a mulher livre correr através de ti pelos prados verdejantes do mundo. Que o teu grito de liberdade plena, seja dado com força pela tua garganta, para que todos os seres vivos do orbe terrestre possam ouvi-lo.

         Casco, pelo e crina, vento jogado ao rosto, tua silhueta de fêmea indomável recortada sob a luz do sol primaveril, ah, como os meus olhos se emocionam ao ver-te assim, senhora dos quatro elementos da natureza, andando nua na companhia de uma alcateia de lobos selvagens.

         Crina, chifres e casco, tu és sacerdotisa das serpentes, filha da lua cheia, em ti habitam a donzela, assim como a mãe e a anciã. Meu coração te enxerga como a grande tecelã do destino da tribo humana. Tua carne fortalece guerreiros, santifica pontífices e religa os filhos de Lilith aquilo que é divino.

         Fogo, terra, água e ar, do teu útero brotam as abundantes cachoeiras da vida, de suas águas frescas, bebem o menino, a moça e os anciões.  Da força do teu sangue, bebe a própria terra, para se fazer a mãe santa de todos aqueles que dela dependem.

         Amo-te com a graça da minha mais pura verdade, quero-te em meus braços para retê-la neles para todo o sempre.  Vives e reinas em meu coração, oh, minha amada mulher, como meu princípio singular e minha sorte do porvir, inquestionavelmente definitiva.

-ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS
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