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Femen

quinta-feira, 15 de outubro de 2015.
      Ergue a tua alma além dos muros do machismo monoteísta, deixa as tuas asas de anjo imaculado se projetarem de trás das tuas costas;  em alto vôo,  atinge as nuvens brancas da liberdade feminina.  

         Não ouças por mais tempo os cães do patriarcado fundamentalista ladrarem contra ti; dá às costas aos seus insultos indignos, e não te esqueças de te despires desta tua burca negra, e também deste teu hábito religioso de noviça sombria, assim, como  permite que eu retire da tua delicada face o véu de chumbo que foi tecido pelos príncipes abraâmicos, falo daqueles que abominam o útero, pois, o ferem cruelmente já, durante séculos, com a espada fálica do porco-chauvinismo dominante.

         Abre a porta de ferro da gaiola em que te prenderam e vem saber de um mundo novo que ainda tu não conhecias.  Sê a senhora suprema da tua vontade própria, e nunca mais leias aqueles livros pseudo-sagrados escritos pelos homens, livros que te colocam como um ser inferior diante os filhos de Adão.

         Não retornes mais a Jerusalém para orar diante do “Muro das Lamentações”; antes, vem atravessar as brumas místicas da verdade libertadora; com isto, regressa à ilha sagrada de Avalon, aonde Cerridwen habita em seu templo com as suas sacerdotisas, filhas da terra, do fogo, da água e do ar.

         Chega de apedrejamentos de mulheres inocentes em praças públicas, de rasgar as suas costas com o ardente e cego látego, de cerrá-las para sempre dentro de paredes que se tornam prisões funestas, onde tais mulheres acabam por beijar a boca fria da demência, e uma vez tocadas pelo ósculo sem vida dela não conseguem nunca mais livrar-se do seu sabor ignominioso.   

         Aproxima-te das águas redentoras da fonte de Gaia e cura a sua anima de mulher para todo o sempre da chaga da grande cisão, chaga esta produzida pelos avatares e messias do monoteísmo, que fizeram-te dividir entre a santa e a puta, de modo a que não te sentisses mais harmônica entre as duas faces da tua natureza de fêmea humana,  de “AMANTE E MÃE”.

         Convido-te a te sentires plena de novo, a te perceberes mulher por inteira, a compreenderes que tu podes com alegria e paz de espírito, ser ao mesmo tempo, Lilith e Eva, até porque, é isto que realmente tu és e sempre fostes : princípio de amor inesgotável para os homens e usina germinadora de vida da prole humana.

         Reconhece-te de uma vez por todas como bem fazias em eras antigas, como a sacro-feiticeira e a bendita mantenedora da nossa portentosa tribo de homo sapiens, e que a luz de um novo matriarcalismo neopagão nos ilumine.

         Abandona já o deserto de solidão e meditação que em milênios tu viveste e vem o quanto antes inaugurar uma nova era, onde o caldeirão-útero da Antiga e Grande Deusa regresse ao lugar que é seu de direito e que foi usurpado pelo dragão da plena misoginia, aquele que veio do seio amargo de Abraão.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS. 

Revisão ortográfica, gramatical e textual de Natanael Gomes de Alencar.

1 Comentário:

Rose de Castro disse...

OLá meu amigo!Seus textos sempre me tocaram e sensibilizaram. Você, como poucos, entende bem do universo feminino e nos faz sentir a mais bela das criaturas que os homens já não vêem faz tempo. Ah...mas a humanidade continua a mesma, né? Que seria de nós se não existissem pessoas como você. Beijos! Rose de Castro

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