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A voz de Geia

segunda-feira, 30 de novembro de 2015.
Escuta, oh, fêmea bendita a voz de Geia, eis que ela se levanta do âmago da terra dirigindo-se para os teus ouvidos.  Não te deixes mais guiar pela máquina fria e bestial do patriarcado, vejo homens de cabelos e barbas longas vestidos de preto segurando em suas mãos os seus livros sagrados, pregando acerca de seus avatares e messias inventados por um machismo milenar, onde o feminino sagrado foi reduzido à figura de mulheres santas e castas submissas a vontade masculina.

Teu útero é sagrado, pois, dele provém à vida humana, digo-te que por conta disto o homem quer controlá-lo, este deseja impor-te um controle de natalidade para servir apenas aos seus escusos interesses.  Os senhores que reverenciam a uma rainha chamada “testosterona”, desejam até proibir-te de menstruar, afinal modificar a natureza da mulher para melhor manipulá-la, sempre foi o golpe de mestre dos patriarcas da nossa sociedade.

Hoje têm mulheres se submetendo a quinze cirurgias para se parecerem com personagens femininas de revistas em quadrinhos, elas transformam-se em “verdadeiros monstros” para alcançarem uma estética surreal, que apenas as levam a mutilação do seu próprio corpo, o templo sagrado da Deusa, e promovem assim, um autêntico atentado contra a sua natureza.

Essas são as filhas que estão descentralizadas da sua Grande Mãe, àquelas que se esqueceram do caminho sacro que as levam à gloriosa ilha de Avalon.  Existe uma mentalidade doentia hoje dentro da ciência, onde anseiam tirar o dom do “útero” da mulher e dá-lo ao homem, subvertendo deste modo a ordem natural das coisas.  O laboratório de experimentos humanos está aberto, brincar de ser um “deus criador” de aberrações diferentes tornou-se um ato banal para o ser humano.  Atualmente o doutor Victor Frankenstein vive esfregando as suas mãos, gargalhando lunaticamente dentro das nossas instituições científicas.

A voz benfazeja da sua deusa interior mais do que nunca fala ao teu coração, oh, minha menina, escute-a, aviso-te que é Pachamama pedindo-te a retornar a ela, a mãe-terra, eis, que apenas as mãos divinais dela podem reconduzir-te ao verdadeiro equilíbrio consigo mesma.  Desta forma, a funesta cisão em tua alma causada pelo monoteísmo patriarcal, dividindo-te entre a santa e a puta, acabará; fundindo-te naquilo que nascestes para ser: uma só mulher, inteira em sua essência, equilibrada em tuas duas sagradas faces, a de “Mãe” e a de “Amante”.

Vinde a mim vós todas que estais cansadas, fadigadas por conta de carregaram o pesado fardo da misoginia dos homens, e eu as libertarei; eu sou aquela que vem com a aurora e que marcha triunfante como um grande exército em linha de batalha.  Eu sou o equilíbrio de todas as coisas, sou aquela que habita no urro do predador; como também estou no olhar apreensivo da presa.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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