segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ditosa Fêmea

          Vamos lá garota, não guarde silêncio, conte-me todos os teus segredos, revele-me todos os teus mistérios.  Tua alma é um oceano de maravilhas místicas no qual eu desejo mergulhar, cadê a aurora brilhante que irá surgir e me iluminará a cerca de tudo que diz respeito a ti?

Apesar de eu só ser um poeta maldito, é do meu conhecimento que não serei repudiado pelo teu coração de mulher, antes, irás me acolher abrindo a porta da tua alma lunar. Agora os dragões veneráveis me escolheram e me levaram em direção ao teu regaço.  Lembrar-me-ei que na antiguidade, tu eras o caminho sempre antigo e sacro que unia o homem a suprema divindade.  Os filhos de Adão satanizaram tanto a serpente como a ti.

Amo a doçura de teu fruto rosa triangular, admiro extasiado o seu perfeito desenho geométrico.  Por trás dos teus grandes e pequenos lábios esconde-se o paraíso perdido, Maya não habita no mel da tua essência, o Nirvana me espera além das tuas trompas de falópio.  Eu te reencontrarei várias vezes dentro do girar da roda de samsara.

Beberei deliciado o vinho do prazer direto dos teus lábios, apanharei a rosa mística que seguras em tua mãe direita, eu serei incendiado pelo fogo orgástico que brota dos teus beijos de linda Afrodite.  O caminho foi limpo dos espinhos venenosos que o cobriam, sua voz de fêmea ditosa me guia através dele rumo ao desconhecido divinal, este que é formado pelas teias do destino, por muitos, impensável.

Seguro firmemente o archote da tua sabedoria, seu silvo poético motiva-me a seguir adiante encantando com o seu som aos meus ouvidos.  Mostre-me a sua graça, mulher, mostre-me a tua face transfigurada em luz, deixe-me montar para ti, para mim e para Diana e Inanna que te acompanham; quatro tendas brancas.   

Do meio das tuas belíssimas pernas jorra uma cachoeira dos teus infindos gozos, destas águas raras, eu bebo até a sua ultima gota, pois tenho tanta sede de ti, como eu o tenho da própria vida.


- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS. 

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