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Não tomes mais o caminho de Jerusalém

sábado, 28 de novembro de 2015.
                 Não quero mais te ver, oh, minha menina, envenenada pelo ópio do patriarcado; desejo que recuses andar por mais tempo pelo labirinto de fantasias que os sacerdotes do monoteísmo criaram para ti.  

Chega de irrigares as flores do porco-chauvinismo com a essência sagrada do teu sangue de mulher.  Os inquisidores do religare fálico estão de olho em ti como sempre, suas mãos estão novamente ávidas para preparar a lenha com o intuito de queimar-te em suas fogueiras religiosas.

Os profetas abraâmicos clamam nas ruas pelo castramento do útero. Afinal, para eles, a mulher, que têm a lua jogada aos seus pés, e que marcha com a terribilidade de um exército numeroso e implacável, não pode vencer destronando o seu deus-testosterona e, então,  repudiam veementemente a delicadeza poética do sangue menstrual.

Eis que a guerra já foi proclamada e os filhos hediondos do grande profeta trazem em suas repugnantes mãos a espada da morte.  Fiquei sabendo que, dentro das suas escolas de ensino funesto, eles fabricam homens-bombas, e desta vez seus corações de escorpiões negros não desejam invadir Meca, agora o limite é o céu.  Ai das mulheres francesas, pois, Paris infelizmente está em luto, estas enterram em esquifes feitos de cristal os seus rebentos, almas inocentes que foram ceifadas pelo fio da foice ignominiosa do patriarcado monoteísta.

Chove em Paris, são as lágrimas da Antiga Mãe que recaem sob o solo da cidade luz, afinal, este mal todo que caiu em cima das cabeças humanas é fruto de terem-na expulsado dos seus espíritos e esquecido o seu sagrado e neolítico nome. Puseram em seu lugar um deus-homem, chamaram-no de “Senhor dos exércitos” e agora pagam caro por este erro : o de renunciarem a doçura materna da Senhora dos céus e da terra.

Cuidado, os homens desejam reabrir o grande Sinédrio, e é lá que, como no passado, vão legislar em prol unicamente do falo. O maior dos perigos pode novamente ressurgir, e desta vez serão as sacerdotisas de Géia que serão vendidas e traídas por trinta e três moedas de prata, e estes cães da mórbida misoginia encherão as suas cidades com enormes cruzes romanas, só que agora, quem vai estar pendurada nelas, serão as ditosas filhas de Cerridwen.  

Oh, mulher, ouça neste instante a minha voz, não consegues escutar nela o reflexo da voz da Grande Deusa Branca? Não tomes mais o caminho de Jerusalém, esqueça a nau que partirá em direção à Roma, siga urgentemente para a antiqüíssima Avalon, a ilha das sacras maçãs, que não fica longe, pois está dentro de ti, e para adentrá-la, basta apenas que promovas um mergulho profundo dentro de si mesma.

Ah, eu sou aquela que carrega consigo o fardo leve, distribuo o descanso merecido às minhas amadas filhas; a minha idade é tão antiga quanto o tempo, o meu útero é a terra fértil, aquela que canta exultante cheia de vida.  Faço-me asilo seguro para as donzelas de anima pagã e mentes renovadamente livres.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS


Tanto na antiguidade quanto na idade média como ainda continua a ocorrer nos tempos de hoje, o monoteísmo religioso usou e usa o terrorismo e o assassinato em massa para se impor. A custa de muito sangue inocente, a Deusa e o Deus pagãos foram destronados do coração humano para dar lugar a um deus-homem e a um deus-único. 

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