quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Encosta em mim

Encostas em mim e acendes no meu interior o teu fogo, torno-me então uma pira humana; incinero-me nas labaredas sagradas da tua paixão.  Esfrega a tua pele na minha e sente escorrer de tua fenda apertada o líquido, ao mesmo tempo doce e sagrado, do teu prazer inominável.

Enches-me do mais puro desejo, um desejo que como serpente venenosa me abocanha no calcanhar, e a unção do seu dulcíssimo veneno é a mais sublime luxúria, esta que me livra dos meus pesadelos e me plenifica com torrentes joviais de delícias imensuráveis.

Encosta em mim atravessando com fúria os lençóis, enroscando-se em meu corpo nu que, excitado pelo teu toque, quer lhe dar o troco : beijos luxuriosos trazendo em si o gosto picante de sensações sensuais que te santificam a alma, que te fazem perder a calma debaixo do nosso edredom que, nestes momentos, torna-se a cabana onde praticamos os nossos atos mais licenciosos.  

O mundo lá fora, agora, não nos pertence mais, vamos à forra com os pregadores imorais de uma moralidade ultrapassada, carola, onde te proíbem de mergulhar no abismo fulgurante do teu querer por quem tu amas e tanto desejas.  

Trago-te, oh, minha sereia, as rosas ferventes dos meus abraços, o toque mágico da minha língua em tua pequena serpente clitoriana, pois, anseio arrancar de tua garganta de bela ninfa gemidos e gritos que ecoem pelas paredes pintadas em vinho do nosso quarto.

Sou teu, transpirando as minhas vontades dionisíacas em cima de ti, molhando-te da cabeça aos pés, deixando-te com meu cheiro de macho insaciável, tomando-te para mim em enlaces vertiginosos de mãos e coxas, entre mordiscos e lambidas molhadas, sussurros e palavras obscenas, num encaixe de efeito transbordante de um deleite sem nenhum defeito.

Sim, em cima do nosso leito que, nestes instantes de viagens transcendentais, sexuais, mais se parece com uma Roma antiga em chamas; eu tenho dentro da tua pirâmide de sublimidades orgásticas, “pequenas mortes”, esvaindo-me copiosamente em torrentes caudalosas das minhas águas seminais.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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