segunda-feira, 25 de abril de 2016

O desejo que me possui

O desejo que me possui, este desejo assemelhado a uma serpente a andar insistentemente ao teu redor, levando-me a querer-te sem medida e sem medo algum.  Não consigo calar-me ante a tua beleza sedutora; esta, antes, faz-me gritar atônito de tanto embevecimento.

A paixão esta à nossa volta, seu brilho vermelho pode ser notado pelos nossos olhos de amantes inveterados. Teu corpo belo e transpirado, talhado na forja da essência feminina, é o meu tesouro mais precioso, tê-lo para o manuseio libidinoso dos meus carinhos tornou-se a minha grande obsessão.

Aqui nenhuma nudez será castigada, aqui a morte não sucederá aquilo que apenas “teoricamente” seria pecaminoso. O prêmio para nós por termos sentido um prazer sensual grandioso não precisa ser a tragédia. Embaixo da linha do Equador a música mais bela é aquela que procede do som dos orgasmos.

O deleite nupcial mora conosco em nossa casa de mil outonos, e a tua boca só sabe alvejar o meu coração dirigindo-lhe versos vermelhos de amor. O invólucro mágico das horas quase não consegue comportar dentro de si a enorme força do nosso gostar.

Quando tudo é prazeroso, os dias voam na velocidade da luz e as noites escoam pelos vãos dos nossos dedos como se estas fossem feitas de grãos de areia. 

Teus gemidos me inflamam de vontades incontroláveis, sinto-me então como uma nau sendo sacolejada pelos ventos tempestuosos das paixões da carne.  Pertencer-te totalmente significa não ser dono de si próprio. Mergulhando o meu corpo no teu, eis que caminho a largos passos em direção ao abismo da mais vertiginosa e trepidante luxúria.

Amei-te desde o primeiro olhar, te desejei desde a pronúncia da primeira vogal entre nós, agora estou preso a ti pelas correntes invisíveis daquilo que não pode ser tocado e muito menos explicado pela insignificância de palavras proferidas por meros mortais.

-ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

A imagem que ilustra o texto publicado acima; retrata o triangulo amoroso platônico de três grandes intelectuais do século XIX. Da esquerda para a direita vemos Paul Rée, Lou Andreas Salomé e Friedrich Nietzsche.  

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