terça-feira, 13 de setembro de 2016

Mãe maior

Eis que das profundezas da minha essência masculina ouvi a tua voz de deusa-encantadora, então, como despertando de um profundo sono, atendi o teu chamado e entreguei-me a me dedicar ao teu amor e aos teus louvores.

Consagrei toda a minha literatura-poética a ti, oh, mistério divino, metáfora de doces segredos, senhora dos mundos e dona suprema da vida e da morte. Contemplando com devoto amor a graça do teu útero, encontrei-me com a sabedoria e ceei com ela em sua mesa feita do mais puro cedro.

Bebi do vinho do seu amor sem igual vindo da sua adega báquica, eu olhei fixamente dentro do infinito dos teus olhos luminosos e quase contemplei o incontemplável. Agora não sei viver sem ti, pois, desvendastes as brumas que me encobriam e me revelastes à resplandecente Avalon, esta refletida em minha própria alma.

Ensinastes-me o poder de cura que há na natureza, mostrou-me toda a terra que é o seu sagrado corpo, assim, como a água límpida das fontes que é o teu divino sangue. E como me esquecer que me apresentastes a todos os animais do orbe terrestre como meus legítimos irmãos?

Agora o teu nome único está marcado a ferro em brasa em meu espírito de bardo errante, e os hinos em louvores à tua glória de Grande e Antiga Mãe não saem mais dos meus lábios, e eis que a minha espada agora só guerreia a favor do teu sacrossanto serviço.

Se as nações monoteístas ainda não te reconhecem como rainha suprema do universo, com certeza elas sofrerão as conseqüências de tal infame erro. Apenas um tolo não enxerga que o caos em que atualmente vivemos é porque te destronaram do coração de toda a humanidade, pondo em teu lugar um deus da guerra, àquele que os seus devotos sanguinários chamam de “SENHOR DOS EXÉRCITOS”!

A salvação não virá do seio patriarcal de Abraão, Isaac e Jacó e sim do útero glorificado da “MULHER VESTIDA DE SOL”.  De ti, oh, venerandíssima, que criastes toda a vida através de tua dança mística é que surgirá o definitivo consolo para o choro agonizante de todos os homens.

Apenas quando todos os seres vivos estiverem andando sob a luz do teu matriarcado é que a verdadeira paz reinará reluzente em meio ao convívio humano. Eu te chamo de Gaia, de Geia e de Mãe-terra, e conduzido pela orientação da tua voz vou caminhando a passos largos dentro deste difícil e longo caminho da minha tão necessária evolução espiritual.

Às margens do luminoso rio da vida eu vi Ísis, Diana, Bastet, Gaia, Athena e a Virgem Maria molharem os seus pés para ali poderem refrescá-los, foi quando em minha mente finalmente percebi que, todas elas eram distintas faces de uma só Deusa, aspectos complementares da “MÃE MAIOR”.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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