quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O pão divino da minha poesia

A minha palavra escrita não é obscena, mas, reflete a eroticidade da tua alma. Quando tu me lês, eis, que eu tenho a chance de possuir-te em tua essência de mulher.

Onde está o pecado de querer ser livre, oh, meu amor? Tu me conheces há algum tempo, não é de hoje que entras em conluio com a minha literatura dionisíaca. Sou o teu velho amante de noites intermináveis, meu espírito de bardo vive a acossar o teu, eu jamais venderei ao diabo aquilo que nós dois querida, temos de mais precioso.

Não profiras o meu nome antigo à toa, afinal, tu o trazes sagradamente gravado em fogo vulcânico em teu útero. Nosso amor é uma ópera de grande teor dramático, foi pela minha anima de poeta que tu genuinamente te apaixonaste.

Alguns dos meus segredos estão ocultos dentro das minhas letras, eu as organizo no papel criando os versos que te libertam do sal da misoginia que quase fez do mundo um imenso deserto.

Será que eu não passo de um messias inacabado desejando com a espada que segura em uma de suas mãos; matar os profetas de longas barbas e de negras túnicas que querem destruir o útero e ainda calcar com os seus pés, o sangue menstrual sagrado, aquilo que meus lábios chamam de vinho da vida?

Eu queria tatuar os meus textos poéticos na superfície da tua pele delicada, e isto para que tu nunca os esquecesses, oh, filha da sapiente Ísis.

Muitos dizem que eu te faço pecar com a licenciosidade da minha obra-autoral, mas, eles só mentem, porque eu apenas abro para ti a porta do pleno conhecimento dos teus desejos, já que os pais do patriarcado em um dia de céu escuro a fecharam para ti, deixando-a selada por muito e muito tempo seguido.

Venha comigo e esqueça toda dor provocada pelos lobos selvagens que promovem estupros coletivos nas cidades tupiniquins, onde a palavra MULHER ficou proibida de ser proferida.

Vamos a Roma, ao templo de Ártemis, pois, chegou o tempo de despertá-la, esta Deusa antiga abençoará as suas filhas libertando-as da ditadura dos príncipes do falo, transformando-as em senhoras de toda a terra.

Eis, oh, mulher, que eu te dou o pão diviníssimo da minha poesia com o intuito de futuramente desposá-la dentro da ilha das maçãs, onde o corpo real do filho de Uther Pendragon em tempos remotos foi sepultado.  

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS 

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