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O medo de amar de novo

quarta-feira, 26 de julho de 2017.
Você está presente em minha alma como nunca ninguém esteve antes, pois, conseguiu conquistá-la afixando em seu seio tua bandeira de mulher amante. E eu não tive como escapar e me entreguei ao teu inesperado ataque. Penetraste na fortaleza desprotegida e incauta do meu mundo interior.

       Antes de conhecê-la eu era um homem inseguro com as coisas do amor, pois tinha muito medo de sofrer. Não queria correr o risco de me apaixonar perdidamente por alguém e, por algum motivo qualquer, me ver de repente abandonado pelo objeto de minha paixão, pois, aconteceu de eu ter sofrido no passado, meu coração já sentiu a dor de ter sido partido. Os seus pedaços em forma de cacos, já foram reunidos e colados com a ajuda do tempo.

       Sendo assim, eu jurei a mim mesmo que não iria entregar-me novamente para mais ninguém. Mas eis que, de súbito, você apareceu inesperadamente em minha existência solitária, fazendo-me mesmo contra a minha vontade, olhar para o horizonte onde estão postos os olhos daqueles que amam.

       Andando na praia em uma bela manhã de sol primaveril, eu me lembro que nela havia pouquíssima gente. Recordo-me de algumas crianças que brincavam ao largo da água do mar, por alguns momentos parei para assisti-las em seu entretenimento. Observava-as me encantado com seus sorrisos marotos, suas gargalhadas gostosas, sua correria em forma de traquinagens que faziam, perseguindo uns aos outros, tombando sobre a areia molhada e se levantando para prosseguirem com aquela sua perseguição mútua.

       Senti a aproximação de alguém e antes de ter conseguido enxergar você, minhas narinas sentiram o doce perfume de rosas silvestres e fui acometido então, de certo estremecimento na alma.

       Ao se aproximar, você me sorriu lindamente, e logo depois de me cumprimentar, também dirigiu os seus olhos para as crianças que brincavam, tendo agora os seus pés lambidos pelas espumas das ondas da água do mar, que vinha desaguar e morrer à margem da praia. Então, lembro-me que fizeste um breve comentário sobre a beleza da inocência infantil, para logo depois se apresentar, dizendo-me que se chamava Rose.

      Depois daquela manhã e do passeio que eu pretendia que fosse solitário sobre a areia da praia, nunca mais a minha vida foi à mesma e nem poderia ser de outra forma. Afinal você a tocou com o carinho de suas ternas mãos e eu, que não queria mais me enamorar, me vi amando de novo, totalmente seduzido, encantado pela sua doce presença.

      Por coincidência estávamos hospedados no mesmo lugar. Como a vida é inusitada, pois inúmeras vezes, eu cruzei os corredores daquele hotel e nunca me havia deparado com você. Para que isso acontecesse, tive de abandonar o mesmo teto que nos abrigava, para que fora dele, pudéssemos nos encontrar.

      No final daquela manhã encontrávamos apaixonados um pelo outro, o cupido não havia pensando duas vezes, pois tinha flechado nossos corações distraídos!Com que nos ocorrera naqueles instantes que estivemos juntos, eu aprendi que se apaixonar não depende de nossa vontade, mas é algo que pode lhe acontecer alheio a ela. Se os deuses alados do amor com suas flechas de pura paixão resolvem lhe alvejar com elas, não há como evitar enamorar-se perdidamente por alguém.

     Já tendo chegado ao hotel e estando sozinho em meu quarto, dominado pelo medo de sofrer de novo por causa de uma relação amorosa, eu caí em prantos em frente do espelho. Embora contraditoriamente feliz, decidi que não daria prosseguimento aquele tipo de situação.

     Tudo ocorreu tão rápido, havia sangue escorrendo por todos os lados, ouvi batidas à porta do quarto, e antes de desmaiar me lembro de apenas vislumbrar o rosto assustado de uma jovem mulher se aproximando de mim. Horas depois ao acordar, eu me vi em um quarto de hospital, recebendo soro em minhas veias.

     Eu estava deitado em uma cama coberto de lençóis brancos, e você sentada ao lado dela em uma cadeira, velava o meu sono. Sorridente e com uma expressão bem humorada, me perguntou aonde eu pensava ir sem você.

     Eu havia sido salvo pela arrumadeira que tinha ido ao meu quarto com o intuito de trocar os lençóis, naquele mesmo momento em que eu resolvera cortar os pulsos. O medo de sofrer novamente o abandono da pessoa amada havia tomado conta da minha alma, que houvera prometido a si mesma e aos céus, que nunca mais se entregaria daquela forma passional a alguém. O médico disse que eu tive sorte, por não ter rompido nenhum nervo que implicaria em ter dificuldades de mexer as minhas mãos. 

     Na manhã do outro dia recebi alta do hospital, sendo assim você foi me apanhar, e juntos fomos para o meu quarto, onde nele, fizemos amor a noite toda. Como fui tolo e covarde, afinal eu quase renunciara a minha preciosa vida pelo simples medo de amar de novo.

    Atualmente vivemos juntos e felizes, temos um casal de lindos filhos e a paz e harmonia se faz presente constantemente em nossos corações. Hoje mais do que nunca eu sei que, quem foge do amor é um ser néscio e vazio, pois temê-lo é como ter medo da própria luz do sol, não desejá-lo em sua existência, é como estar vivendo em trevas de forma incessante. É apenas pela via do amor, não importa a forma pela qual ele se manifeste em nossas vidas, que se pode encontrar a verdadeira felicidade e sentido para a vida humana.

                      - ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

"Amar é sentir na felicidade do outro a própria felicidade".- Gottfried Wilhelm von Leibnitz.

A imagem que ilustra o texto publicado acima é do fotógrafo Igor Sobral-RS © 2007 Igor Sobral-, ela foi tirada na Praia do Cassino-Rio Grande.

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