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Passei aqui apenas para dizer adeus

sexta-feira, 21 de julho de 2017.
Pena que agora tenho de dizer-te adeus; por fim, descobri que o teu amor não passava de mera ilusão. Em meu íntimo, hoje, tenho a certeza que tu somente amas a ti mesma e aos teus! Como pude acreditar que o real sabor do vinho dos teus sentimentos era de uma boa safra? Fui completamente tolo ao dar ouvidos ao teu canto de sereia, pois, ele é cheio de modulações e em sua entonação habita a substância de um puro veneno!

Sinto-me livre com teu afastamento, apesar dos meus sentimentos românticos e de natureza masoquista ainda insistirem em gritarem por ti. E isto é cruel comigo mesmo, afinal amar-te é o mesmo que dar o coração a uma medusa, que a cada dia  petrifica sua vítima com indiferença mordaz.

Volte para os teus, oh, mulher, sim, retorne ao teu covil de mentiras insanas, onde promoves jantares regados com licores banhados em tua mais autentica hipocrisia. Ah, mal sabem aqueles que te cercam dos teus sorrisos de dentes brancos, de um brilho fosforescente, mas enganoso, pois, contém um esgar demoníaco, próprio daquelas vampiras que sugam, até a última gota, o sangue de incautos corações partidos.

Nunca mais me permitirei escutar-te por uma fração de segundos que seja, selarei veementemente as portas sacras da minh’alma, não cometerei o erro de ser enganado uma segunda vez por ti, oh, ave de canto sorrateiro e enlouquecedor. Sob os muros de tua casa, eu sei que crescem as ervas daninhas da eterna perdição.

Compreendo, mais do que nunca, que tuas juras de amor somente tinham o objetivo de deixar-me preso aos teus braços funestos, e, que tuas lágrimas eram tão fingidas como o foi o beijo de Judas na face reluzente de Jesus. Em ti o amor jamais repousaria; isto porque tal sentimento sublime nunca habitaria no âmago de um espírito tão hediondo como o teu, ah, abutre trevoso que te disfarças sob as plumagens brancas de uma singela pomba.

Teu aspecto delicado e tuas atitudes gentis unicamente servem para camuflar teus intentos ricos em engodos, intentos estes que resultam de planos, condutores de invasões e pilhagens sobre a fortaleza dos espíritos dos teus desgraçados amantes.

Por todas estas razões, eu proibi a simples menção do teu nome em minhas terras, até às margaridas, que plantaste com tuas próprias mãos em meus jardins, ordenei que não florissem. E exigi que ninguém colha suas belezas. Saiba, enganosa serpente, todos os teus retratos foram jogados em uma fogueira acesa em meus átrios, para que qualquer memória física, que eu ainda pudesse ter de ti, fosse assim destruída.

Meu coração, nas horas vindouras, apenas anseia em ser um pássaro azul, voando e tateando em um céu de aspecto mais vivo, onde a felicidade possa ser a maior estrela que brilhe em seu firmamento.


- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Revisão crítica e textual de Natanael Gomes de Alencar.

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