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terça-feira, 9 de outubro de 2018

Desejo enluarado


Como possuí-la? Teu amor é um pássaro de ouro, cujo imenso valor eu não alcanço. Meu coração deseja profundamente possuir o teu; no entanto, tu o me negas, através de segredos que ocultas no interior de tua alma de mulher.

Será que não compreendes que eu gostaria de habitar o paraíso afrodisíaco da tua pele, e ser embriagado, dia após dia, com o vinho dos teus dionisíacos beijos?

Como eu queria tornar o teu corpo desnudo um templo da lascívia sagrada e, ainda, mergulhar no mar de cores vertiginosas dos teus abraços! Meu espírito anseia unir-se ao teu num conluio nunca antes visto, onde os meus desejos seriam os teus, assim como os teus fetiches seriam os meus. Ah, querida, por que tu me negas o licor divino que escorre de tua flor rosácea, sob a proteção de guardiões labiais?

Tu, e tão somente tu, possuis o mesmo nome que o astro noturno tem: o bendito nome de Luna. 

E eu, desde que te conheci, me perdi em teus encantamentos de beleza lunar, e agora vago pelo mundo, como um dia o próprio Dionísio vagou, insano, totalmente privado do seu juízo. Sim, oh, amada, eis que hoje, sou um LUNÁTICO que percorre os quatro cantos do planeta, atrás de ti e do teu amor salvador. E quando eu te encontrar, te pedirei que, assim como Cibele curou a Dionísio, tu me cures de minha loucura.

Como um lobo solitário, eu uivo é na tua direção, não quero andar em meio a uma alcateia, pois, eu apenas preciso de tua companhia. Quem sabe um dia tu me contes o que te impede a entrega ao meu amor invencível.  Sinto que uma “força maior” não te deixa contar qual seria este tal impedimento.  Mesmo flechado pela dor da tua rejeição, devo respeitar a sacralidade deste teu segredo.  

A noite já se aproxima de mim e de todos os seres viventes. Selene, com sua carruagem prateada, e conduzida por dois bois brancos, presentes de Pan, vai começar a cruzar os céus, levando consigo a branca lua, e quando os meus olhos, em êxtase,  se entregarem, fascinados, a este espetáculo mítico, é de ti, dulcíssima Luna, que me lembrarei.  

-ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Leitura crítica e revisão textual realizada por Natanael Gomes de Alencar.

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