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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Odisseia de uma paixão

Eu procuro o teu amor, através das sombras da cidade, me energizando nos copos de cristais enfeitados com doce luxúria vulgar, contendo em seu interior drinks feitos de puras vertigens, que só anjos caídos suportam beber. Ah, tu agora não podes lembrar meu nome, eis que ele foi forjado bem de leve com fios de libido resistentes, entre os átomos de teu seio esquerdo, lembras-te? E só você pode ler, só mirar o declive do teu seio com teus olhos castanhos claros.

Olha para dentro do espelho do banheiro de cada barzinho que tu frequentares, em seus reflexos hás de ver o meu rosto imaculado de luz. Então enxergarás meu sorriso de anjo ferido, entortado pelo teu amor sombrio! Onde agora estão as minhas asas? Talvez sendo leiloadas, chamuscadas, porém, no mercado negro da desgraça humana. Pintei minhas unhas em rubra paixão e a minha alma envernizei de desejos, talvez agora me convides para as festas programadas em volta de tua piscina, e, se eu tiver sorte, quem sabe consiga beber da taça por onde escorrem teus orgasmos de ninfa atrevida.

Há uma bela música que não para de soar dentro dos meus tímpanos, ela me faz pensar docemente em ti, sua melodia belíssima me faz sonhar com teu corpo nu, assim como a sua letra me teletransporta para a imagem do teu sorriso de formosura surreal. O timbre da voz da cantora que a interpreta me envolve dos pés a cabeça, levando-me aos átrios dos teus carinhos que me ensandecem.

Tu não compreendes que há uma multidão de almas a habitar no seio cintilante da madrugada? São notívagos atrás de prazeres que nunca os satisfarão, pois, a sede deles por tais satisfações sensoriais nunca terá fim, e é por isto que noite após noite giram de forma incessante dentro de um círculo vicioso. E eu sou um deles, minha flor, e, em cada ninfa de espírito noturno que deparo, busco as tuas curvas para derrapar nelas o meu deleite.

      Atualmente é outro que entra e sai de dentro de tuas entranhas, fazendo-te experimentar gozos salpicados com o vinho da loucura dionisíaca, e eu, sabendo disto, queimo-me ainda mais na lembrança de ti, avermelhando veementemente meus olhos de serafim profano. Que satisfação tens ao me desviar da luz? A espada afiada da minha justiça cega quebra-se ante teus meneios de sereia sedutora. Sem ti, meus dias rapidamente escoam como água pelo pérfido ralo da total incoerência!

Desde há muito tempo, não consigo fazer outra coisa, a não ser olhar para tuas fotos salvas em meu celular, vacilei e perdi o melhor de ti, e agora estou assediado por esta vampira inescrupulosa chamada depressão. Sou então alçado a um estrelato sombrio dentro do teatro que a tua ausência armou para mim!

Apesar das pessoas ignorarem em grande parte do tempo esta verdade, o amor romântico também possui o seu lado trevoso. Um lado que só tarde demais passamos a descobrir! Quando isto ocorre, as nossas primaveras se transformam da noite para o dia em rígidos invernos siberianos. Nestas horas notívagas, em que ando de bar em bar, nesta espécie de Ítaca em decadência, me iludindo em profanos corações, tento repetir os prazerosos nados que fizemos juntos no oceano verde esmeralda de uma paixão de dimensões infinitas.

A aurora refulgiu sob meu olhar estupefato, com ela também veio uma nova esperança que brotou na terra do meu coração, e que me encheu de uma alegria que há tempos eu já não mais sentia! Não devo esmorecer ante os gigantes de pedra da desesperança, o amor verdadeiro é uma força invencível, e este pode derrubá-los com um só golpe. Devo erguer a minha cerviz, e invocar as deusas primordiais do amor, e confiar que elas, com seu poder divino, restaurarão o nosso excitante júbilo de vorazes amantes.

Vou até onde pisam teus pés, vestirei um personagem, a figura de Ulisses, fingirei que subi em minha nau de antigas e prodigiosas viagens, e naveguei de volta para nossa casa, em Ítaca, que esperou sempre ansiosa pelo meu retorno! E simularei que tu, oh, minha amada, voltará a me aguardar diante dos portões de entrada, como esposa, em nossa planejada morada! Eis que o meu grande arco de guerra me espera para poder matar, com suas potentes flechas, a meus rivais, que tiraram proveito de minha longa ausência do teu lado, para te cortejarem. Empilharei seus corpos diante dos átrios de nosso palácio e de noite serei eu, e não outro, a partilhar contigo os prazeres humanos, similares aos dos deuses.

E então, minha amada, pisaremos, juntos, as areias douradas e gregas das praias de nossa bela Ítaca! E o sol nos brindará, arregalando seu olho de luz, num horizonte lírico, iluminando de forma inusitada nosso amor imortal.

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Leitura crítica e revisão textual realizada por Natanael Gomes de Alencar.

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