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O Anjo das Letras

Eis que eu era o cupido mais belo e cheio de glória que fazia parte da corte angélica da Deusa Afrodite, tinha comigo todo o favor, graças e bênçãos desta Grande e Antiga Mãe.  Dentre os príncipes angélicos do seu formoso jardim, eu era aquele que chamava de forma extraordinária a atenção dos próprios Deuses do Olimpo! O Glorioso Eros, Deus do amor e filho dileto de Afrodite, me tratava como se eu fosse seu irmão de sangue.

Eu caminhava com as nove musas gregas da inspiração artística, com elas confabulava por horas dentro de uma doçura de espírito, difícil de descrever por meio de palavras. “Sophia”, a própria sabedoria personificada, me amava tanto que seu tratamento para comigo era semelhante à de uma mãe que tem grande afeição por seu filho.

Insuflado por esta bendita eleição provinda do seio dos Antigos Deuses, eis que me deixei levar por um dos sentimentos mais mesquinhos que existe, o ORGULHO! E tomado por tal sentimento, tomei uma decisão impensada: a de tocar os escabelos onde repousam os pés da divina Afrodite, sem pedir a sua permissão.

Para alcançar este fim, voei até as alturas abismais onde a Antiga e Grande Mãe se assenta em seu glorioso trono que refulge em pura luz divina. Quando já estava próximo de tocar os escabelos onde descansam seus delicados e sagrados pés, eis que, notando o meu ato construído na mais puríssima insensatez, Afrodite, com seu imenso poder, me repele, fazendo com que eu despenque vertiginosamente do alto dos céus até tocar com o meu corpo leve de anjo o chão duro e poeirento do lar onde habitam os homens, o Planeta Terra.

Como castigo pela minha desrespeitosa ousadia de querer tocar os escabelos dos seus pés, sem pedir-lhe a devida permissão, Afrodite me sentenciou a que eu ficasse, por um tempo indeterminado, disfarçado sob o aspecto humano, vivendo no meio dos homens, com a missão de lhes ensinar a respeito dos Deuses por meio de um gênero artístico escolhido por mim, e, como escolhi a arte da escrita literária, tornei-me um anjo das letras.

E apenas quando eu levar a toda raça humana o conhecimento sobre os Deuses antigos e sagrados, chegará o tempo de eu retornar à minha pátria-mãe, o sagrado OLIMPO, onde poderei rever os meus irmãos alados, os Deuses do amor e da paixão: os CUPIDOS! 

Até que chegue este benditíssimo tempo, deverei esconder dos olhos humanos o aspecto glorificado do meu corpo angélico, assim como as minhas brancas asas. E, vivendo como um mero mortal, eu me farei passar por um escritor que, inspirado pela DEUSA BRANCA e pelas nove musas greco-romanas, levará a sua literatura ardente e luminosa a todo orbe terrestre, e isto fará com que a minha figura seja chamada e conhecida como o enigmático ANJO DAS LETRAS.


ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.


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